dobro-me sobre o chão e tenho a aderência de papel
falta ainda o voo súbito da folha que já secou
ou abraçar as encostas do planeta e os frutos numa cesta
com qualquer parte desse corpo irrefutável
se me distraio é uma mania muito aqui do bairro
atentar ao transbordar das palavras dos que falam
os ecos de mundos antigos que aqui se desdobram
o que pode ser aquela multidão a se esticar
sobre as paredes do remoto
vinculo pus energia de esperança inflamada
aos movimentos dolorosos de meus ossos
agarro-me à Terra e sinto o absurdo dessa
deusa a disparar e se consumir em desespero
lento unhas estouram as tempestades prenhes
de um novo habitat que se chama
nós por nós (gozo na terra seiva milenar)
não mais romantizar a melancolia
dramatizar a ecolalia transformar abismos
em canção vou do roxo cinza lilás às enegrecidas
pérolas a riscar a face que
é um palco para a corrida sem ponto de
chegada a imagem descobri ser a calma
o costume de outra era