com sobrenome igual o meu e o endereço dá saudade. Não quis falar outro clichê senão: “Oi. O que te inspira além dos filmes que vê, das músicas que descobre, da regra que desobedece, do que tu gosta homem, mulher?”. “De pessoas”. Entendi ali. Eu preciso tanto das pessoas, eu preciso tanto disso, e não, não preciso de ti. Mas te peço. Porque carregas contigo um pedaço de algo que é meu também. Mas te perco e te busco. E tu não precisa de mim. Mas somos troncos fortes e com o vento nossos galhos se procuram no abraço. Mas questionamos os preços de tudo, do monoteísmo à monogamia. A gente não vale nada, mas se valoriza tanto. Amadurecemos, apodrecemos, e nascemos de novo. O que move o mundo, depois do dinheiro, e do amor pelo dinheiro, é a capacidade de se transformar pelo amor. E enquanto miravas dinossauros, já quis te magoar porque trazia a angústia que ainda não sei o nome. E mesmo assim daquele éon tu voltou. Mesmo sabendo que tudo só se resolve quando o meteoro vem e destroi o planeta. E eu voltei, voltei, e voltei. O apego, o brega, meu problema. Tu sabe, meu jeito de caranguejo. Um passo pra frente e dois pra trás. Deve ser meu ascendente em câncer. Meu intelectualismo místico new age e o drama dos vinte e poucos anos. Teu sol fica no meio do meu céu e sabe o que significa? Nada (ou tudo). Te escrevi um poema e te reconheci um Saturno flagelado que tu pintou no braço com bitucas de cigarro. Tu disse cometa bobagens e asteroides também. Sentimentos não mudam do nada. Mas sentimentos mudam. Não menti, nem omiti. Mas fingi que sou o cara. E quem sabe sou mais um cara, mesmo quando aperto bem minha buceta, pra tu lembrar que tá comigo quando as coisas apertam. Que não foi só pelo sexo e pela posse e pela propriedade. Que não é só pelos contornos do carimbo que deu forma as nossas almas. Que é bem mais simples e menos romântico do que precisar desse outro pra viver. Que é amar esse estranho que vem no mesmo rosto de 7 anos atrás. 7 vezes escrevi teu nome. Que não é tão simples como escrever uma rima ou uma necessidade. Mas que é bom como um rastro, um momento de alegria. Como quando a notícia ruim é “acabou o café” e eu vou lá comprar mais e fazer um pra gente.