Joe Cruz: Untitled

Viro fantasma em silêncio ao menos uma vez por mês. Desfalecer para tonalizar aquelas noites em que servimos nossos corações etéreos feéricos:

aquelas noites de sonho que, instantaneamente, saiam reveladas na pele.

Bandeamento poético:

Num dos elos do Dna, o objeto fotografado, no outro elo, um registro fora do comum como o tempo.

Tecer o já tecido cabreiros com trejeitos de bicho inteiro mesmo brigado com Morfeu quero o seu abraço aquelas noites em que

Montados na montanha russa espiral, gastando a epiderme ao som das letras antiutopia de Nicanor Parra, a gente ri e chora até sangrar pelo nariz e sair dos trilhos, arrebentados, despedaçados, e a tinta vermelha a devorar tudo na mesma proporção: algodão doces incertezas a criança o cachorro o latido quente arrefecido os amantes os carinhos no choque o bicho papão no trailer gritos gritos gritos “tiros na televisão”:

você também quer se colorir só para morrer depois dessa sessão?

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Conta-se o relato da sobrevivente que desenvolveu um orgão-fissura, sem o qual não conseguia pensar a vida, tampouco senti-la podia, e que construiu um canil de rinha para dores de caninos afiados.