verão 123
sonhei que a gente morria junto por não dar a mão
acordei no meio da noite à procura de algum som
ou vestígio
da janela escorria lentamente um precipício
na pele, o jocoso peso um medo fictício
atravancando ouvido
o ventilador varre o ar
trotam na espinha suores frios
pesadelo insônia calor febril
tá entre dormir e acordar
viu viu viu viu viu
paramos de novo na luz amarela
calma esquenta mas não queima
quer um copo d’água?
abanos abanos abanos abanos
calma fechar janela não vinga
há insetos in your head
é eu sei
já faz tempo que daqui a
pouco amanhece