Não eu não vou porque eu não caibo

Eu não vou porque eu caibo

Eu vou porque eu não caibo

Eu vou e caibo

Não, não vou porque não caibo

Porque me refaço por vícios plásticos

diálogos diário palavra-inerte

bóia furada fustiga a esquina

enlamaçada

fastio no ouvido vem como

chuva que pelo Rio se

desfaz

Atento ao cinza do jornal

encaro o brilho da vida

esmaecendo indo

pra longe das notícias

Porque me refaço por

Cinzas do atalho queimado

Aderindo aos contornos

do quarto quanto carbono

Se refaz de meus fluídos

Até que os sinais dos pássaros

Cheguem aqui

Flor de poemas palavra-inerte

Cecília Meireles as cores-semente

Trouxeram o mar a mim o dia todo

Enquanto estive verde

Forças para escrever o bilhete

Achar um novo rosto desenhar

ladrilhos e labirintos entre os

outros orgãos que quiserem de

mim se mudar

Também borbulha saca o caos de sobra em

ficar de cara aquele dia quando

tu dizia meu que voz

insuportável

quando não

embriagada

Lembrava que o mundo também

Me chateava e que era certo

Que todo mundo encarava

a Rua de cara chata

filosofava quase

(acreditava)

E que mesmo assim não deixava

De sair de casa

Mas hoje

Não eu não vou porque eu não caibo

Eu não vou porque eu caibo

Eu vou porque eu não caibo

Eu vou e caibo

Não, não vou porque não caibo

.

.

.

Aproxima de mim esse cálice
Ordeno: parem as cidades! calem-se
Alma [s] que não cabe em mim