Notas sobre a negação neutra ou meditações sobre a linguagem

Para cair do cavalo: suba sem medo e leves tons de roxo entre a grama verde e o couro. Atolar os pés nos mangues como quem cospe o corpo. Fazer duas coisas ao mesmo tempo: fazer três. Para navegar nos correntes marítimas da loucura: acenar do farol incandescente aos pés da ilha da razão. Fazer o seco e fazer o molhado: pedras. Ser uma coisa: ser um nada para ser a coisa que espera pelo nome. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ser obrigado ou não ser. Ser inevitável. A ponte só porque há passado e salto. Porque há o vislumbre sobre o pessoal o institucional. Ter de ir ao fundo do fundo. E os caminhões tangenciam espasmos nublados ao percorrer a ponte. Nem meia ponte existe, a não ser aquela que leva à morte: zumzumzum e silêncio.

Para ser palavra: balbucio e na calada noite um grito.

Para cara ou coroa, ou. Ou ouro ou Clique aqui para aprender a investir. Camarão que dorme a maré leva. Minha cena favorita é uma em que o personagem diz numa briga ao ser chamado de falso: duas caras não, mil!

Pra ter mil, ter dois rios que nunca são os mesmos. Oceano: fim de mundo profundo e beiradinha própria para banhos infantis. Para mudar: sede o mesmo. Para ser a sede, fala-se de: poesia e filosofia, na cidade. Há guerra nos centros e nas margens na cidade: para ser marginal, trazer em si a Rua Estreita da Tradição, mesmo que seja para negá-la num beco.

Há só pólen na polis, abelha e mel dizem eles que lutem. Abelha, abelhudo, poeta, arregaça as manga, amigão. Para fazer atalho entre os polos: ferradura do centrão. Nem esquerda nem direita: Admirável Gado Novo. 2013 foi foda porque era Toddy, Tédio ou sair da minha torre íntima para libertar O Povo da alienação estruturada pela televisão. No fim do dia, arrisco dizer que é inútil pensar. Tem que desconstruir, vocês que fazem parte dessa massa, tem que ser moderno. Poesia, pede perdão, ô abre alas, que eu quero brincar de filosofá. É game life. Abraça a carcaça, Magda. Nem tudo é só eco de eu quero eu quero eu quero. Ter a cabeça estilhaçada. Como seria estar aqui se não tu não quisesse vir? Nunca voltar para somente ir.

A linguagem exige dedos de cola de farinha, sem a tua companhia. Meu analista era aspirante a cientista social e bruxo não praticante. Era, pois não admitia que ele não fosse uma coisa ou outra. Procurei outro que admitisse, mesmo que não fosse. A linguagem: uma ponte que tu tem que atravessar. Suspende a pisada. Me responde, ela solicita insistentemente, me responde, para onde tu quer ir?

Nem meia faca, nem meios répteis: tupiniquins jogam bola com a cabeça minha cabeça quando não sei se azul ou vermelho ou. Azul e vermelho parecido: giroflex vindo. Meia-bomba, meia-explosão, meia-vida, meia-média, meio-morrer também não tem. Porque nem tudo é sobre insira aqui um nome e um desejo. Por que vem toda essa moralidade quando a gente quer falar de objetos de conhecimento? É sério, viver é uma coisa séria. Problema de classe, problema de interesses. Meia-moral, também tem não. E o motivo todo mundo já conhece.

Para voar sem asas, virar verso, fazer sombra pela ponte. Pra que falar tudo um tanto se são só palavras? Se fazer de ovo oco furado dos dois lados. Recusão do não. Recusa de que a palavra tem qualquer coisa de obrigatoriedade prática com a vida. Que tem, tem. Mas não essa correspondência direta de eu te uso você me usa, até porque correspondência traz em si o cor de coração, corresponder fazer passar pelo coração, e tu quer sempre uma racionalidade do hoje vai ter uma festa. Ai, que radical. Graças à Deusa. Pois bem, que tem, tem. Mas pra ser fetiche de mundo concreto: as sutilezas do abstrato. Através de meus sentimentos. No lugar do segredo, um uma louca, uma onça-pintada esfíngica com olhos neon. Ou: Pero tomar nota de las necesidades no es mejorar las condiciones. Essa piadinha, essa charada, essa angústia, cosa nostra, mas nós quem?