desabotoava as brechas da blusa

a dar a ver as lantejoulas furta

cor que a gente pregava

com linhas de fuga:

“vai Brasil!”

era copa e nos noventa até

as lajotas abriam braços e

tremia ao ver a tinta que

escorria de seu banho

esvaindo pela fresta

da porta

os campos se estendiam sobre eletróns

cardíacos os jogadores não eram

monstruosamente gregos e do

lobby nem se falava veio o

ecstasy sangue vampiros

aveludados explodia

em raios

descolados dos cômodos

calados quando se veste

colorido volto íntimo

sinto chacoalhar

a síntese de

morar no

canto de

uma

falha

nosso destino já era decifrado

por aplicativos mas nem por

isso foi o susto menos ainda

pelo amar o espelho

depois do luto

foi por embarcar no trem sem rodas

viajar pelos rostos de vitórias

régias foi pelo velejar

numa vida que

parecia cena

há quantos séculos essa

esfinge feito oráculo liga

pedindo músicas na

rádio de tua cabeça?

“bota em crepúsculo” tu me pede

pra deixar cair o véu da tarde

enquanto toca no LP

Reckoner do

Radiohead

saiu perfeito o registro que fiz faz

trinta anos não importa em

quantas sessões regrido à

imagem se perde aquela

época rígida sequer

imaginava a

sinuosidade

de um

android