Do padeiro a vida de acordar antes de todo mundo e de seu pão de trigo o nome próprio ao Estado. Da professora o peso dos zeros que deu que deixou de ganhar. Do vapor a falta de opção. Do pastor a virtude. Do milico a ilicitude. Do marceneiro o camuflar árvores em mesas e cadeiras. Da manicure um entender que amarelo faz a cliente se sentir parte do sol porque ouro nunca sai de moda. Do reparador de estradas o vir pra casa de mão dada com o filho e o reluzir de seu uniforme para rodovia com faixa refletiva devolvendo à noite os carros. Da costureira o decorar tecidos com as linhas de membros. Do andarilho a angústia do comer dinheiro puro. Da atendente do caixa os anos de planos intermináveis cravejados nos códigos de barras. Do bêbado o pular do trampolim para fora. De qualquer coisa, de um em si-próprio. Morava numa esquina de onde fitava as casas e vidas em favos. Não se alimentava do mel, mas de tudo isso que aos poucos e isolados era uma coisa só. Não estava na maior rede do mundo, e ainda assim se navegava nas imagens, sons, gemidos dos calabouços dos “si-mesmos” encadeados. Comum como estar numa vala a céu aberto. Pelo menos, aqui, algo em comum. Trincheira é terra de ninguéns. Se navegava para ser alguéns.