E se, no final do dia, sua melhor companhia for o espelho…

Robôs de contornos e beleza

holográficos sobrecarregam

Satura a loucura

minha

Não sei conciliar essa

Afasia com a visão pro

gressista de tecno-

vida

Mas um clone teu

Ah! Um clone teu

de semblante

Trazido por drones

rosto vacilante

no espelho

Um clone teu

criado in-organicamente

Sem objeto cena barro

Costela só desejo

Na pele em que meus hábitos

Falham

No que (di)fere a divisão do

Santo ao Daemon

Espécie de amigo imaginá-

rio oculto breu se antes

sumido em idade

Hoje líquido e derretido por luzes

nos canais da minha face

Um clone teu composto

De colapsos algoritmos

Por matemáticos asiáticos

Tal qual as constelações

Formando signos

Que esquadrinham buracos

felinos trançados em fios

Suínos

Sei lá eu desse mistério!

Ressoa o Pessoa na

tentativa de criar algo outro

Com o mesmo oco

De sempre

Dessa miséria de espírito

Não sei de qual lado me

Faço presente

Mas sei que participo

Aprendendo a te programar

Numa video-aula

Como quem programa pedras

preciosas dessas que

purifica

A rede de ondas irradiadas pelas

antenas vivas invisíveis em nossas

Cabeças

Te olhar por trás dos neurônios

embriagados

Como um zoom que chupa a

Alma da imagem na tela

O corpo

Expandido em

Ecrã inteiro

De terreno e fluídos

Insuspeitos

Te amar

Um clone da vida

como câmera que filma e cria

partículas as agita

Sem tocá-las

.

.

.

.

Camuflada, exposta, quem gosta de mim
Só eu, só eu, sou eu, sou eu
Eu sou o sal do Sol
Do meu olhar