Dalí. Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar.

fragmentos de Marcelo Ariel, in Contra o Nazismo Psíquico

E se tudo for uma metáfora dos nossos sonhos? E se a realidade for um emaranhado de poemas e problemas tão misturados que é quase impossível distinguir um dos outros? E se o amor for no fundo a única maneira de distinguir um dos outros? Talvez as metáforas sejam a droga do século, mas, na falta delas, o amor pode se converter em mais uma droga anestésica, uma geração inteira viciada em ‘anestesia da vida interior’ não é melhor do que a viciada em ‘fuga interior’, olhar para fora pode ser um ato revolucionário se nossa vida interior acompanhar o nosso olhar, vou reler o seu livro como se ele fosse um filme em estado puro ou seja, como se ele fosse ‘algo vivo’ como os nossos sonhos, esse lugar onde o amor nasce ou se confirma como mais uma metáfora, a mais poderosa delas.

Manifesto por uma ética mística (excerto)

A vida como um pulsar do ininteligível e do real que floresce em nós através do silêncio desde o astros até a paisagem mais próxima não encena a si mesma e é desprovida de ‘passado’ e ‘futuro’, ela é um acontecimento autônomo. A perpetuação do nome como lugar da identidade apenas anuncia o acontecimento como algo apartado desse ser-que-acontece-fora-do-nome, em resumo: é a vida quem vive através de cada ser e não o oposto. A percepção do teatrofantasma como uma sucessão de eventos que se repetem a encenação-da-encenação, como a simulação de um controle sobre a vida, de um entendimento distanciado do acontecimento do mundo através de uma abordagem meramente intelectual, eis os núcleos do teatrofantasma, sinto que a presentificação de mitos ancestrais de uma humanidade primordial leva a lugares dentro do poema que ajudam o ser a atravessar o teatrofantasma, mas a superação do teatrofantasma seria um mergulho ainda mais fundo no ame o que você não ama e na nuvem-do-não-saber ou seja no inominável.