acontece que amanheci com pedaço de Kandinsky na garganta querendo voltar para a boca e como se não bastasse a embriaguez indesejada matutina tinha de ser aquela arranhada abstrata repentina na alma própria ao ato de tentar nomear a aparição de museus necessitados de inventários de experiências ainda não adquiridas fragmento de paletas indecisamente coloridas colecionando enxurradas de lixo corajoso objetivo perigoso pixando o fetiche das multidões nos muros Russo’s em dizeres de morte aos fascistas sussurrando melodias não traduzidas mas sentidas oscilando a acidental geometria perfeita da seita primitiva saliva pintando as montanhas acarinhadas pelo sol memórias desses verões chuvosos escritos em língua de silêncio tinha de ser um chamado lunático para morrer enquanto ressaca lambendo o remorso do peito ao mar tinha de ser o olhar de lobo faminto pelas flechas metálicas atravessadas nas esferas ocas translúcidas em que se bordam as faltas com linhas de oxídrica fantasmagoria

sou só mais um ângulo buscando

a praia e o desfile de carnaval

e não ser mal

interpretado